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HORA DO BURRO

Quem disse que burro não sabe das horas? Pois bem. Sabe. Quando eu morava nas Rocas, todo dia, menos aos domingos, saía para trabalhar no escritório do meu tio. Quando eu passava por um terreno cheio de mato, por trás do escritório da Rede Ferroviária - (Isso foi em Natal, Rn) - encontrava uma tropa de burros comendo capim ou coisa assim. Quando eram 13 horas (uma hora da tarde) um burro rinchava ou relinchava feito uma buzina. Era como tivesse dando as horas para em seguida se ouvir soar o apito da fábrica que tinha alí perto. Era um buzinar - ou melhor: um hurrar - tremendo aquele que o burro zurrava. Certa vez, eu vi um burro que pastava tranquilo no capimzal existente no lugar, apesar da hora ser de rachar. Eu vinha, preocupado em chegar no armazem, e notei uma cabra com seus cabritinhos também bastando no mesmo local, um pouco distante do burro. Então, a cabra - de cabrito novo - metia o chifre para cima para espantar um bodeto - bode pequeno - que procurava fazer coito com a velha cabra. E isso foi umas tres vezes. Quando viu que não conseguia nada com a velha cabra, o bodeto partiu para pegar um cabritinho. Nesse instante, o burro viu a cena. Quando o bodeto tentou fazer sexo com um cabritinho, o burro pegou pela anca esse quase bode e largou para o alto. Sei que quando o bodeto caiu no chão, não contou conversa: foi emborra na carreira, pra longe da cabra, cabritos e do burro, como quem diz: "Vá matar o cão!". Pois é. E em seguida, como que olhando as horas, o burro pois a relinchar, dando as horas que eram para dar. Na verdade, burro começa a relinchar à meia-noite,tres da madrugada, seis da manhã, nove do dia, ao meio dia, as tres da tarde, às seis da noite, às 23 horas, para voltar tudo à meia-noite. Quem vai rumando no interior do Estado observa o burro. Quando é a hora precisa, ele não conta conversa: mete o urro pra cima. É o verdadeiro relógio de burro. É um negócio espantoso. Irronce-ronce-ronce-ronce-ronce..brruuuur..! E acaba a corda, ou seja: a vez.
Escrito por aldericoalvares às 10:26:09 AM
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VAQUEJADA

Quando eu era moço, dos meus 18 anos, eu e uma turma de uma tipografia de Natal (Rn) fomos assistir uma vaquejada no municipio de Santa Cruz, para mim, naquela época, muito longe daqui, certamente. A rodovia não tinha calçamento, imagine só. Era areia barrenta. Uma poeira e tanto fazia quando o ônibus passava. Não tem problema. Lá vamos nós. Depois de muito rodar, eis que chegamos à Santa Cruz, umas 9 horas da manhã. Por lá não tinha estação rodoviária e casas, só de um lado. Do outro, não tinha nada. Era só mato..Não era MAAAATO! Era matinho, bem pixototinho. E tem mais: tudo seco. O mato, é bom dizer. Agua? De onde? Tinha não. Às vezes vinha um garoto com umas cangalhas nas costas. Aquilo era água. Mas, isso, não tinha importância. Nós - eu fuçando o nariz para tirar o poeirão - fomos lá para uns lados que, hoje, não sei nem onde ficavam. Pois bem. Andamos, andamos, andamos e eis que chegamos do curral das vacas. Era. Um curral, mesmo. A turma, alegre e cheia de cana, esbravejava: "Vamos.Vamos. Derruba!!!". Era o pátio dos touros - e das vacas, por certo -.Um sol de rachar. Eu era só suor. Pingava por tudo o que era buraco. Mas, lá vamos nós. Chegamos ao curral que pertencia ao "Doutor" Theodorico Bezerra e lá sentamos para assistir a derrubada do boi. Alis, de derrubada nao tinha nada. Dois cavaleiros montados em seus cavalos, correndo para derrubar uma vaquinha desse tamanho. Pixototinha. A turma gritava: "Derruba! Derruba!". E eu, olhando. Chega a hora do almoço e na fazenda do Doutor Theodorico tinha de tudo. Carne, feijão, farinha e outros ingredientes, sem faltar a cachaça, para não se botar defeito na festança. E o boi corria. Lá pras tantas da tarde, nós voltamos à nossa cidade. Uns, bêbados até demais; outros já quase dormindo e alguns um pouco mais "alegres". Nessa estava eu, com certeza. Na volta, tome poeira. Na estrada, só tinha urubu atrás da carniça dos bodes etc e coisa e tal, que eram atropelados pelos caminhões e outros tipos de carro. Já de noite, chegamos a Natal. Todo mundo cansado, bêbado e sem falar nos que ainda dormiam. Foi uma viajem e tanto. No dia seguinte era só nisso o que se falava. Eita vaquejada danada de boa.
Escrito por aldericoalvares às 8:40:53 AM
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