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NÃO SEI O QUE!

Hoje, sonhei com um palácios à beira mar. Eu olhava e dizia a uma pessoa que não conheço: "Não tardaem que as pessoas daqueles palácios mandem derrubar estas casas, aqui, para que eles possam ver melhor a mata virgem do morro". Esse foi o sonho e o que eu disse. No sonho vi os palácios que estavam longe, bem longe mesmo, do ponto onde eu estava. Agora, verifico através dessa foto algo que vem me lembrar o sonho. Ele era algo assim. Nessa ffoto nao tem palácios, porque é muito antiga. Já agora, ali tem palácios, onde hoje é uma praia de turismo. Os casebres iguais aos estão registrados na foto, eles não mais existem. Hoje, tudo é moderno. Nos terrenos que ficam ao lado, nesse descampado, onde tudo era areia e grama, hoje é tudo cheio de mansões. Quem vê Ponta Negra de ontem, nessa foto, nem imagina que a praia mudou em um passe de mágica. Os casebres que tem à beira-mar, hoje não tem mais. Eu fico a pensar: não sei por que a gente sonha com o passado. Os meus sonhos sempre são com o que já não existe. Pessoas que já morreram e estão vivas, no senho. Casas, ruas, locais que um dia eu passei por eles. Tais locais, hoje, já não existem. E eu volto a perguntar: Será que o passado existe? Como eu imagino, ele deve existir. Porém, eu não sei o que os outros sonham. Tem tanta gente ao meu redor e eu não sei o que cada um sonha, de verdade. Sonhar, para mim, é um outro lado da vida que nós não conseguimos alcançar.
Escrito por aldericoalvares às 7:29:29 AM
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YOLE

Em março de 1952, o Sport Club de Natal resolveu enfrentar o mar. Naquele ano e muitos outros para frente e para trás, a juventude natalense fazia todos os dias competições em yole, remando por todo o estuário do rio Pontengi, da saída do Sport até a ponte de Igapó, uma extensão ampla para a mocidade que desejava ter corpo são e músculo forte. Nesse ano, o Sport Club chamou a sua turma para saber quem tinha a coragem de enfrentar o desafio e remar de Natal ao Rio de Janeiro, experiência pioneira e nunca alcança - até hoje. Foram selecionados os remadores Ricardo da Cruz, o mais baixo de todos, e mais Antônio Duarte, Oscar Simões, Clodoaldo Becker e Francisco Madureira. Cinco remadores, sendo que Ricardo da Cruz era o patrão da yole. A festa foi preparada com grande entusiasmo, divulgação pela Radio Poty - só tinha essa emissora - e a impressa escrita. A competição foi batizada de "Rio Grande do Norte". No dia 30 de março de 1952 os atletas sairam remando com destino ao Rio de Janeiro. Uma história náutica sem precedentes. Na manhã da largada, os herois assistiram a Missa na Capela do Colégio Salesiano e receberam como madrinha dona Ivone Cavalcanti Reis, esposa do desportista José Reis. A solenidade do embarque foi prestigiada em prosa e versos. Othoniel Menezes compôs o soneto "Ricardo da Cruz" e João Amorim Guimarães fez uma saudação em verso. Os potiguares remadores ficaram sendo chamados de " Os Lobos do Mar" e foram recepcionados por toda costa basileira como os destemidos herois do mar. No entanto, na metade do caminho, na localidade de Mangue Seco, a embarcação foi invadida pelas águas do mar, no dia 2 de junho de 1952, e resultou naufragando. Os seus tripulantes foram salvos e meses depois, recuperaram a embarcação e tocaram rumo com o seu destino traçado, que foi o Rio de Janeiro. E assim, partiram a 19 de fevereiro de 1953 com a Iole Rio Grande do Norte II. Os atletas Clodoaldo Becker e Francisco Madureira foram, aí, substituido por Luis Enéas e Walter Fernandes. No dia 21 de maio de 1953, às 10h45, a Iole Rio Grande do Norte atracava no Cais da Marinha, no Rio de Janeiro. Alí, os Lobos do Mar foram recebidos pelo vice-Presidente da República, João Café Filho, e o prefeito da cidade, Francisco Benjamim. A BBC de Londres noticiou a jornada como o "maior feito náutico do mundo".
Escrito por aldericoalvares às 2:26:12 PM
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REMOS

Em Natal (Rn) tem a rua Chile que, outrora, foi chamada Rua do Comércio, porque alí tinha tudo o que era vendido na capital do Estado. Podia-se dizer que ali existia vinhos, mulheres e música, pois na parte do dia, funcionava as lojas de artigos importados, como vinho, doces, cereais, conservas e, à noite, era a vez das mulheres em suas alcovas fazerem com os homens tudo o que o diabo gosta.Na Rua Chile tinha além do comércio, as sociedades do remo, onde os rapazes procuravam a associação para treinar o remo, passeando pelo rio Potengi, desde a praia da Redinha até a ponte de Igapó, em uma boa extensão. Os garotos daquela época tinham no remo o melhor para o seu condicionamento físico, tornando-se rapazes musculosos, invejavelmente musculosos. Alguns chegaram a altura de 2,20 metros. Isso era alguns, pois nem todos conseguiam essa estatura. Na rua tinham duas sociedades de remo, uma junto da outra e para se por a canoa ou yole no rio era bastante seguir para o rio, onde as duas sociedades tinham suas esteiras correndo do prédio para o rio. Alí, eles remavam em yoles de vários tamanhos, com ou sem patrão. Yoles de um remador, ou de dois, tres ou cinco. Remar no rio era uma festa para os que se aventuravam a fazer tal proeza. Houve um tempo que tres ou cinco dos melhores remadores de Natal, foram, de yole, até ao Rio de Janeiro, uma façanha que não se repetiu jamais. Um dos atletas era Ricardo da Cruz. Na verdade, foi uma coisa de louco, remar pelo mar a fora, sem ter nenhum instrumento que permitisse saber onde se estava. Quando esses remadores chegaram à Capital Federal - nesse tempo, o Rio de Janeiro era a Capital da República - foram recebidos com a maior pompa, estando presente, inclusive, o Presidente da República. Eles foram ditos como os desafiadores do mar, pois conseguiram chegar em uma yole, no Rio de Janeiro, coisa que somente navios tinham essa condição. Foi pompas e glorias para os nossos remadores. Ainda hoje se nota a capacidade do homem em desafiar o mar revolto para alcançar o seu objetivo. Eu, na época, era menino. Mesmo assim, ainda me lembro das proezas dos nossos eternos remadores ao singrar as ondas do mar bravio.
Escrito por aldericoalvares às 6:49:00 AM
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SONHOS

Hoje, eu tive um sonho por demais assustador. Eu chegava em uma panificadora que estava fechada àquela hora do dia, parecendo meio-dia. Então, com certo esforço, abri uma brecha na porta para ver se ela - a moça - estava por lá, mas não havia ninguem no interior da loja. Com muito vagar, eu fechei a porta que abrira apenas uma parte bem pouca dando apenas para que eu vislumbrace o interior. Apos fechar a porta - era uma imensa porta - eu segui pela rua em busca da mocinha que eu estava a procurar. Bem lá à frente, encontrei uma casa muito baixa onde quatro mulheres jogavam baralhos. Eu encostei-me à porta e de imediato perguntei à mulher que dava as cartas. "Você me conhece? "- perguntei à mulher que mais parecia uma cigana. E ela respondeu: "Claro que sim, Que estais a fazer?", perguntou-me a cigana. E eu respondi, com vagar; "Este beco ainda tem saída?". A mulher me respondeu: "Claro que tem. É só seguir em frente". Então, eu me despedi da mulher cigana e caminhei pelo beco estreito que dava de uma rua a outra. No beco havia muita lama que escorria das casas que estavam ao alto da rua onde eu tentei abrir a porta da panificadora. As casas que tinham ao lado do beco, eram baixas e sem janelas. O beco tinha uma largura de cerc de 70 centimetros. Era apertado. E o chao era todo feito de cimento. Ao final, as casas tinham cercas de varas, de um lado e de outro do beco. Eu chegei ao fim do meu caminhar por aquele beco,e encontrei a rua que eu não prcurava. Era uma rua mais parecendo o interior do meu Estado, há tempos remotos. Casas baixas, todas feitas de taipa. Quando eu alcancei a rua, vi várias casas. Muitas, mesmo. Eu segui em frente, rumando à minha esquerda até chegar em outra rua, que era uma subida. Olhei para as casas e vi uma que me lembrou quem eu estava procurando. A casa estava velha demais, quase caindo. A parte da frente ja tinha caído. No seu interior eu vi, do costas para mim, entrado, um rapaz que eude pronto perguntei pela moça que eu estava a procurar. O rapaz se voltou, dizendo, que ela não morava mais ali. Eu fiquei a imaginar, porque da moça nao morava mais ali. Derepente, quatro mulheres surgiram por onde eu havia passado. Todas conversando. E mais além, vinha outra mulher, trazendo uns sacos de farinha - com certeza - nas mãos. Eu a conheci. Porém temi em que pudesse a mulher me reconhecer. No sonho, a mulher vinha distante e eu procurei fugir de onde estava para não ser reconhecido.
Escrito por aldericoalvares às 9:20:27 AM
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DOROTHY LAMOUR

Esta semana eu vi uma foto dessa estrela de cinema num comercial de um novo sabonete da época. Era o sabonete Lever, dito o sabonete das estrelas. Já faz tempo que a Lever fez esse comercial. Nesse tempo, lá pelos idos de 1950, tal sabonete era fabricado nos Estados Unidos. Porém, vinha para o Brasil com os letreiros em portugues. Eu fiquei a meditar: Quanto tempo, heim? - É verdade. Faz muito tempo. Uns 60 anos. Dorothy Lamour era o nome artístico de Mary Leta Dorothy Slaton. Que diferença! Ela nasceu em Nova Orleans, no dia 10 de dezembro de 1914. Morreu em Los Angeles no dia 22 de setembro de 1996. Estava com 81 anos. Dorothy nasceu em Louisiana e possuia o sonho de ser cantora. Foi Miss Nova Orleans no ano de 1931. Chegou a trabalhar como ascensorista até que veio a se tornar vocalista na banda de Herbie Kay, seu primeiro marido, em 1935. Logo se separa, dando vazão ao sonho de conquistar Hollywood aos 22 anos consegue seu primeiro papel num filme - uma "ponta" em The Stara Can't Be Wrong, de 1936. Ainda neste mesmo ano participa de outra película - justamente o papel que veio a construir sua imagem - como uma "moça da selva", num filme ao estilo de Tarzan, célebre personagem de Edgar Rice Burroughs, como a selvagem Ulah, vestida em trajes mínimos e sensuais. Este papel alavancou-lhe a carreira, tornando-a por muitos anos uma das atrizes mais cobiçadas, sex-symbol do cinema norte-americano. A partir de 1936 seu nome passa figurar dentre as divas da tela. A figura sensual, minimamente vestida para os padrões da época, despertaram a fantasia dos adolescentes de todo o mundo. Mas não apenas nas selvas atuou Lamour. Realizou sete comédias globe-trotters com a dupla Bing Crosby e Bob Hope entre os anos de 1940 e 1942. Sua extensa filmografia apresenta mais de sessenta filmes no cinema e, na fase final da carreira, com a idade, inúmeras aparições na televisão. Atuou até 1987, ano do seu último trabalho no cinema. Morreu aos 81 anos, de ataque cardíaco. Dorothy Lamour atuou em A Estrada do Rio, em 1947, fazendo o papel de uma brasileira, Lucia Maria de Andrade. Hoje, eu vejo Dorothy na estampa de um comercial de sabonete.
Escrito por aldericoalvares às 3:13:38 PM
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MARIA MADALENA

Em 1945, em Nag Hamadi, no alto Egito, foram encontrados, em lingua copta, os evangelos de Tomé e de Maria Madalena. De Maria Madalena, infelizmente, o texto está fragmentado. A presença de tantos textos fragmentados pode ser atribuida, além de outros fatores, aos decretos e recomendações papais solicitando o não uso desses textos pelos cristãos É conhecido o decreto Gelasiano (referente ao papa Gelásio, falecido em 496), contendo uma lista de 60 livros apócrifos do Segundo Testamento, os quais os cristãos deveriam evitar E muitos livros apócrifos foram para a fogueira. Daí a importancia de se encontrar um livro como o de Maria Madalena, guardado e conservado por tantos anos. As mulheres são importantissimas no inicio do cristianismo.Entre elas, destacam-se Maria Madalena, Maria, mãe de Jesus, Tecla, Verônica. Nos evangelhos apócrifos sobre Maria, mãe de Jesus, nós encontramos uma mulher diferente da que aparece nos evangelhos canônicos. Se em Atos dos Apostolos ela é aquela mulher subserviente, que está junto aos apóstolos, mas que não tem liderança, nos apócrifos ela é uma mulher que discute de igual para igual com os apóstolos e que tem liderança entre eles. Tecla, da mesma forma, era companheira de Paulo na evangelização. Ela batizava. Mas logo no início do Cristianismo a voz de Tecla foi silenciada. Tertuliano, que lutou contra o movimento de mulheres cristãs. no ano 200 da Era Cristã (EC), também escreveu o seguinte: "...Que elas se calem e que questionem, em casa, os seus maridos". Quem é essa mulher? A interpretação "erronea" de outros textos dos evangelhos chegou a identificá-la com Maria irmã de Marta, com a mulher que ungiu Jesus e, o que é pior, com a prostituta, interpretação que ficou mais no inconsciente coletivo. Quem não "aprendeu" que Maria Madalena era uma prostituta? E como seria bom "desaprender" isso. Tente! E você verá como é bonito descobrir de novo. É isso o que está acontecendo com as comunidades e pessoas que já estudaram o Evangelho de Maria Madalena. Elas estão descobrindo a Maria Madalena mulher, discípula de Jesus, líder entre os primeiros cristãos. E porque não "apóstola" e mulher que Jesus tanto amou? É verdade que muitos também se escandalizam com testenho dado pelo Evangelho de Filipe sobre o relacionamento entre Jesus de Maria Madalena: "A companheira de Cristo é Maria Madalena. O Senhor amava Maria mais do que a todos os discípulos e a beijava frequentemente na boca. Os discípulos viram-no amando Maria e lhe disseram: "Por que a amas mais do que a todos nós? O Salvador respondeu dizendo: "Como é possivel que eu não vos ame tento quanto a ela" (Filipe 63, 34-35,5) E em outra parte diz; "Eram três que acompanhavam o Senhor: sua mãe Maria, a irmã dela, e Madalena, qu é chamada a sua companheira. Com efeito, era "Maria", sua irmã, sua mãe e a sua esposa (Filipe 32).
Escrito por aldericoalvares às 2:36:49 PM
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