criaçao


LULA.!

A primeira exibição pública de Lula, O Filho do Brasil, marcada para ser realizada no Rio de Janeiro em novembro (dois meses antes de sua estréia comercial) foi cancelada, de acordo com o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. A sessão ocorreria no evento Vale Open Air, que ocupará o Jockey Club carioca, com exibições de filmes numa tela gigante, ao ar livre. No entanto, uma empresa de segurança aconselhou os produtores do filme a exibí-lo somente em locais fechados antes de sua estréia como uma maneira de driblar a pirataria e evitar o que ocorreu com Tropa de Elite, que em 2007 chegou meses antes de sua estreia nos camelôs em cópia ilegal, largamente difundida. A sessão de Lula, o Filho do Brasil ocorreria no dia 23 de novembro. Mil jovens carentes seriam convidados à exibição. Lula, o Filho do Brasil mostrará da infância de Luiz Inacio Lula da Silva até a morte de sua mãe, Eurícide Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindú, enquanto ele estava preso após ser acusado de liderar greves ilegais no ABC, São Paulo. A cinebiografia é roteirizada por Denise Paraná, antiga assessora de Lula, e escritora da biografia Lula, o Filho do Brasil. O longa tem orçamento estimado em R$ 12 milhões. A cinebiografia dirigida por Fábio Barreto estreia em 1º de janeiro de 2010. Serão 600 cópias, o maior lançamento de um filme nacional após a retomada.



Escrito por aldericoalvares às 8:08:08 AM
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RUAS DE NATAL

Faz tempo! Muito tempo, mesmo! Eu lembro que nesses tempos, coisa de 57 anos eu começava a aprender a trabalhar no escritório do meu tio. Não era bem nessa rua. O escritório ficava na outra rua, a rua Dr. Barata. Esta é a rua Chile que por um certo tempo se chamava Rua do Comércio. Na foto, logo após a avenida Tavares de Lyra, se vê o final da rua do Comercio, destacando-se nessa foto  figura da Tipografia Galhardo, onde eu tinha vários amigos que trabalhavam ali. Pedro, José, Chico, Paulo e o "velho" Campelo, o chefe de máquinas da tipografia. Seu Campelo era o pai de José, Pedro e Paulo. Todos os dias, ele e os seus filhos, caminhavam, a pé, de Petrópolis até a Ribeira, onde ficava a tipografia. Isso, quatro vezes por dia, pois a turma vinha almoçar em suas casas, certamente. Quando era meio dia e meio, lá se iam eles para o trabalho. Meia hora para chegar e tamos conversados! De tarde, às 5 horas, lá eles voltavam para casa pois no dia seguinte faziam todo o caminho de ida.A tipografia era uma das maiores de Natal, se não fosse a maior. Na parte de cima do prédio tinha uma casa de prostituição que o "velho" Galhardo arrendava para tal fim. A tipografia ficava em uma esquina entre a Rua Chile e a travessa Venezuela. Para o lado que fazia esquina e deva para a rua Tavares de Lyra, tinham os edificios de escritórios de despachantes de mercadorias.  Eu tinha o hábito de transitar por aquelas ruas. Chile, Trav Venezuela, Trav. Argentina para poder chegar à Rua Dr Barata onde eu estava começando a trabalhar. Certaa vez, no escritório do meu tio, um homem chamado de Rapa-Coco disse que ele tinha visto parado no rio um avião - Catalina Voadora. Isso despertou a minha curiosidade. Ver de perto uma Catalina Voadora. Eu já tinha ouvido falar de um avião que pousava na água. Porém, nunca tinha visto o tal aparelho. Com o dizer de Rapa-Coco que o avião estava lá, meus sentidos se afetaram, me deixando louco de curiosidade. Então, esperei uma saída para os Correios e disse, comigo: "É agora!". E fui ver a tal chamada Catalina. Na verdade, lá estava o monstro silencioso, no meio do rio como esperando algum peixe grande para tragá-lo.Que bela era aquela nave. Leivei bastante minutos a olhá-la. Eu e o mundo todo. O pessoal que não conhecia o avião, estava tendo essa oportunidade. E quem o conhecia, voltava a vê-lo de novo. Era a maravilha de Natal pousado no estuario do rio, imponente, austero e senho de sí. Era um magnifico espetáculo no silencio das marés.Depois daquilo, eu rumei para os Correios, por entre ruas da Ribeira, vibrante e altaneiro por ter conhecido a maravilhosa Catalina. Agora, eu tinha muita coisa a dizer aos meninos quse rapazes, filhos de seu Campelo que também vira aquele soberbo avião que pousava na água. E a Chico, também, pois ele integrava o grupo de jovens que trabalhavam na tipografia.



Escrito por aldericoalvares às 7:52:16 AM
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PEIXE

Esta só pode ser uma história de pescador. Os homens que vivem da pesca no Rio Grnde do Norte não tem do que reclamar. Apesar da atividade não ser bem remunerada, o litoral costeiro de mais de 400 quilometros oferece aos pescadores peixes, ostras, camarão e lagosta que sustentam famílias a mais de trinta anos no ritmo das ondas do mar. Francisco Augusto é um exemplo disso. Nascido no Canto do Mangue, em Natal, Rn, Seu Xanana, como é conhecido, nasceu e se criou entre os peixes. Ele começou a pescar quando ainda era menino, para ajudar aos tios que estavam sobrecarregados com o trabalho. "Eu ajudava a eles a pescar e depois ia pro comércio, vender o que tinha pescado. Eu sempre fui muito procurado por causa da qualidade do meu pescado e foi assim que cresci e criei meus filhos", destaca Xanana. Ele atribui o sucesso do seu box - o mais procurado dos 16 boxes do Canto do Mangue - à qualidade dos pescados, que estão sempre frescos e bem refrigerados, além de serem os peixes e camarões maiores do mercado. Atualmente, trabalham com ele um neto e um sobrinho. A história do fundo do mar são baseadas em esperanças de dias melhores, com maior atenção à atividade pesqueira, que ainda não têm boa lucratividade na economia do Rio Grande do Norte."Os peixes mudaram a minha vida. Quando começou a pesca da lagosta aqui no Estado, eu fui um grande pescador e soube aproveitar os bons tempos. Para mim, pescar é sempre um orgulho porque é onde eu deposito toda a esperança e confio que vai dar certo", fisa seu Xanana, com os olhos cheios de lágrimas. O Mercado do Peixe foi inaugurado em 2007 pela Prefeitura de Natal, num projeto de reformulação do Canto do Mangue, tirando as barracas inadequadas e criando um espaço para vendedores de peixes,que melhorou as condições de higiene e aumentou a procura por parte de novos consumidores.O espaço está aberto todos os dias para o público e é lá onde os natalenses compram peixes e camarões, principalmente empresários de restaurantese pessoas comuns. Os consumidores afirmam que no Canto do Mangue os preços dos pescados são melhores e o paladar está sempre agradável. Para os apreciadores de um bom peixe frito, o Canto do Mangue oferece barracas com venda de refeições baseada em peixes e as famosas receitas de ginga com tapióca e saborosos caldos de peixe.Dessas, o lugar mais conhecido de consumo de peixes fritos ée a barraca de Seu Pernambuco que recebe natalenses e turistas de todos os lugares do mundo, principalmente Portugal, como conta o pescador. A pesca em Natal, às margens do rio Potengí, já foi explorada por milhares de pescadores. Este ano, o Governo Federal formulou um projeto para a construção do Terminal Pesqueiro de Natal que deve mudar a realidade do setor, com a atração de grandes empresas.Os pescados mais comuns são o atum - que corresponde a 40 por cento da produção nacional - e as espécies encontradas em águas profundas como o dourado, a cavala, a meca, o cação e o dentão, em quantidades que variam de 50 a 70 toneladas em cada barco. A comercialização dos peixes de Natal geralmente é direcionada para o sul do país, no eixo Rio-São Paulo e ainda para os mercados internacionais como Estados Unidos e Japão.



Escrito por aldericoalvares às 9:45:57 AM
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ENCALHADO

Durante toda a tarde e início da noite do ontem, 5, prestaram depoimento da sede da Polícia Federal, em Natal, Rn, os seis estrangeiros que estavam no barco pesqueiro LA 263, encalhado na praia de Búzius, litoral sul do Estado, desde o último sábado. Cinco deles são nigerianos e um ganês. Franklin da Silva, Aidia Gadi, Willians Egbolodye, Atsu Fiawogbe, Salako Leandre, (Nigéria) e Charles Kwaku Umishio, (Gana), em depoimento à Delegacia de Imigração manifestaram interesse em voltar para a África. Ainda não há data de deportação, mas a Polícia Federal acredita que seja nos próximos dias. As Embaixadas de Nigéria e Gana já foram notificadas e espera-se que sejam enviadas as documentações dos tripulantes do barco pesqueiro. A empresa aérea não aceita passageiro sem passaporte e apenas um deles possui o documento. As despesas com passagem e estadia serão custeadas pela União.  Os pescadores operavam no mar da África quando houve a pane no motor do barco. Diante das circunstâncias, o barco ficou à deriva sendo arrastado pelas correntes marinhas até à costa do Rio Grande do Norte. No dia 02 de setembro, os seis africanos saíram de Lagos, na Nigéria. Dez dias após, o barco apresentou pane mecânica, ficando à deriva. Agentes da Policia Federal estiveram na praia de Tabatinga onde os estrangeiros foram abrigados  em uma casa de veraneio. Informações colhidas junto a pescadores, dão conta que os náufragos estavam bastante abatidos e mostraram preocupação com os seus familiares. A pane no motor deixou o barco também sem comunicação, privando seus tripulantes de entrar em contato com seus familiares. Todos eles são funcionários de uma empresa de pesca. No caminho, os marujos tiveram que colocar ao mar a grande parte de peixes para diminuir o peso na embarcação e por causa de que já estavam se estragando. Durante os dias que ficaram à deriva, só se alimentavam com peixe e arroz. Não havia mais água para consumo, deixando-lhes bastante debilitados. No domingo, a embarcação foi sequeada, com os ladrões levando equipamentos de GPS (Sistema de Posicinamento Global) e até peixes podres que estavam em um dos compartimentos, relatou o comerciante Lenildo Alves, morador do lugar. No sábado à noite um nigeriano foi encontrado caído em uma barraca na praia de Búzios. Ao seu lado havia um caiaque. O náufrago foi levado ao hospital, pois estava desidratado. Outros náufragos se dirigiam, em uma boia, em direção à praia e conseguiram chegar em terra com boa saúde.O sexto tripulante estava com um colete salva-vidas e apresentava sinais de ferimentos por causa das ondas e de bater no casco da embarcação, relatou o comerciante.



Escrito por aldericoalvares às 8:50:07 AM
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MERCEDES PELA ÚLTIMA VEZ

O velório da cantora Mercedes Sosa está sendo realizado no Congresso Nacional  de Buenos Ayres desde o início da tarde de ontem, domingo, 4, Milhares de fãs chegaram ao local para prestar suas últimas homenagens à cantora e vê-la mais uma vez, já que o caixão esteve aberto. Mercedes Sosa foi internada no dia 18 de setembro por causa de complicações derivadas de uma doença no fígado. Nos últimos dias, a artista teve o problema ainda mais agravado depois de uma deficiencia respiratória. Assim, permaneceu em coma desde quinta-feira (1) até a sua morte. Mercedes Sosa nasceu em Tucumán, Argentina, em 9 de julho de 1935. É uma cantora de grande apelo popular na América Latina e conhecida como La Negra pela cor das longas e lisas madeixas. Ganhou destaque muito nova, com 15 anos de idade, após se apresentar em uma competição de uma rádio da sua cidade natal e conseguiu um contrato de dois meses. O timbre marcante levou Mercedes a gravar o primeiro disco "Canciones con Fundamento", em 1965, com um perfil de folk argentino. Mas foi em 1967 que se consagrou internacionalmente após gravar o sucesso "Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas", com Ariel Ramirez e Feliz Luna. A música foi em homenagem à chilena Violeta Parra. Já atuou com diversos músicos, como Milton Nascimento, Fagner, Silvio Rodriguez, Chico Buarque, Gal Costa e Beth Carvalho. De personalidade marcante, Sosa é conhecida também como uma ativista política de esquerda, sendo peronista da juventude. Se posicionou contra a figura de Carlos Menem, e apoiu a eleição de ex-presidente Néstor Kirchner. Toda essa preocupação inclusive fica evidente emseu repertório, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Cancion, movimento musical nos anos 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque são representantes.



Escrito por aldericoalvares às 8:36:11 AM
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MERCEDES SOSA

Uma música em espanhol chegava pelas ondas do rádio para quem sintonizava a Rádio Havana às 6:00 horas da manhã, naquele tempo em que a censura imposta pelo regime militar proibia tudo, e a cada proibição causava um prejuízo inestimável e irrecuperável ao povo brasileiro. A voz de Mercedes Sosa se juntava às de Juan Baez, Pablo Milanez, Milton Nascimento e Elis Regina, em gritos revolucionários desenhados pelas letras de Violeta Parra, entre elas Gracias a la vida.
Pela manhã, os estudantes repetiam baixinho aquelas músicas, junto com o “Vai levando” de Chico Buarque, “Apenas um rapaz latino-americano” de Belchior e um “Argumento” (Ta legal, eu aceito o argumento / mas não me altere o samba tanto assim) de Paulinho da Viola. E seguiam para a noite aonde, nos bares da vida podiam conversar, mesmo que sob olhares dos agentes da ditadura, gritando pelo garçom que apelidaram de “I me free”, para sentir, pelo menos na imaginação, alguma sensação de liberdade.
Faltava liberdade naqueles bares, naqueles campi e nas ruas, pelas quais circulavam revolucionários em atos clandestinos, na luta por dias melhores na Argentina, no Brasil, na Nicarágua, no Chile, na Espanha, em Portugal, Angola, Moçambique e tantos outros países dominados pelos regimes de exceção. Luta que terminou vitoriosa em todos esses lugares, com a retomada dos processos democráticos a partir de bandeiras que reafirmavam: “O povo unido jamais será vencido”.
Eram momentos de vida ou morte, mas que comportavam versos inesquecíveis na voz de Mercedes Sosa propagando os poemas de Pablo Neruda: “Me gusta cuando calas” e era somente aí que se sentia bem com o silêncio. Não o silêncio imposto pela censura, mas o silêncio do amor. Eram versos daquelas belas páginas de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”, na qual Neruda mostrava um dos maiores gritos da história do homem: “Posso escrever os versos mais tristes esta noite”.
A tristeza veio da truculência, quando Juan Baez foi probida de cantar no Brasil, sob alegação de que sua música era subversiva. Ela que planejava trazer gande prestígio à música brasileira, gravando um disco completo com músicas de Chico Buarque de Holanda. Da mesma forma que nos carnavais brasileiros a censura proibia até ouvirmos a marcha “Bandeira Branca” com Dalva de Oliveira, confundindo-a com a música “Bandeira Branca” de Geraldo Vandré.
Nesta manhã de outubro chega a notícia da morte de Mercedes Sosa. Aquela lutadora que percorreu continentes em nome das mães argentinas e dos povos oprimidos, transformando-se numa cidadã do mundo. Que escreveu belíssimas páginas da música popular, cantando sempre com seu imenso coração e enfeitando o mundo com sua voz forte e poderosa. Com a morte de Mercedes Sosa – como diz a música “Se se cala el cantor” - cala-se um pouco a vida.
*Walter Medeiros é jornalista
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Escrito por aldericoalvares às 11:23:22 AM
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